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Rotina mental entre os pontos — o que fazer em 20 segundos

Entre um ponto e outro, o tênis oferece algo raro no esporte: tempo.


Pouco tempo, é verdade — cerca de 20 segundos. Mas tempo suficiente para ganhar… ou perder o próximo ponto.

A maioria dos jogadores usa esse intervalo de forma automática. Alguns reclamam do erro anterior. Outros se preocupam com o placar. Há quem pense no saque que vem, no adversário, no jogo que está escapando. Quase ninguém percebe que esse pequeno espaço é onde o jogo mental realmente acontece.

No tênis profissional, isso é tratado como ciência. No tênis amador, quase sempre é ignorado.

E não deveria.

O ponto termina. O próximo ainda não começou. Esse intervalo é um mental break point: um momento decisivo, invisível no placar, mas determinante no desempenho.

Do ponto de vista psicológico, o cérebro precisa fazer três coisas muito específicas nesses 20 segundos:


encerrar o ponto anterior, reorganizar o estado emocional e direcionar a atenção para o próximo ponto.


Quando isso não acontece, o jogador entra no próximo rally carregando o peso do anterior.

Uma rotina mental eficiente não serve para “pensar positivo”. Ela serve para reduzir ruído.

Funciona mais ou menos assim:

🔹 Primeiros segundos: encerrar o ponto


Ganhou ou perdeu, não importa. O ponto acabou. Um erro comum é continuar jogando mentalmente o ponto anterior. O cérebro fica preso no que já passou, enquanto o corpo precisa responder ao que vem. Um gesto simples — ajeitar as cordas, tocar o chão com o pé, virar de costas para a quadra por um instante — ajuda a criar esse fechamento simbólico.

🔹 Segundos centrais: regular o corpo


Emoção começa no corpo. Respiração curta, ombros tensos, mandíbula travada são sinais claros de desorganização emocional. Um ou dois ciclos de respiração mais lenta ajudam a reduzir a ativação excessiva. Não é relaxar demais — é voltar para um nível funcional de tensão.

🔹 Últimos segundos: intenção clara


Aqui entra a parte técnica. Não se trata de planejar o ponto inteiro, mas de escolher uma única intenção simples: jogar profundo, sacar com margem, entrar com os pés. Quanto mais genérica a instrução, melhor. O cérebro gosta de simplicidade sob pressão.

O erro mais comum entre jogadores amadores é usar esses 20 segundos para se cobrar.


O segundo erro é tentar controlar tudo.

No circuito profissional, os grandes jogadores fazem exatamente o oposto: simplificam quando o jogo aperta. Eles não jogam melhor sob pressão. Eles se atrapalham menos.

Essa rotina não garante vitória. Mas garante algo ainda mais importante: presença.


E no tênis, estar presente vale mais do que qualquer golpe bonito.

Vejo isso diariamente em quadra. Jogadores tecnicamente preparados, fisicamente aptos, mas emocionalmente desorganizados entre os pontos. O adversário nem precisa fazer muito. O jogo se perde nos intervalos.

Talvez o maior aprendizado seja este:


o próximo ponto nunca começa quando a bola sobe.


Ele começa nos 20 segundos anteriores.

E quem aprende a cuidar desse espaço invisível passa a jogar um tênis mais estável, mais consciente — e, muitas vezes, mais vencedor.

O jogo segue.


Ponto a ponto.


Por dentro.

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