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Ansiedade pré-jogo: inimiga ou sinal de importância?

Poucos minutos antes de entrar em quadra, o corpo costuma avisar:


mãos suadas, respiração mais curta, coração acelerado, pensamentos que pulam de um ponto para outro. Para muitos jogadores, esse momento recebe um rótulo automático — ansiedade — e, junto com ele, um julgamento: “isso é ruim”.

Mas… e se não for?


No tênis, a ansiedade pré-jogo costuma ser tratada como algo a ser eliminado. Controlar, bloquear, ignorar. Só que, do ponto de vista psicológico, essa tentativa de apagar a ansiedade costuma gerar exatamente o efeito contrário: mais tensão, mais medo e menos presença.


Talvez a pergunta certa não seja “como acabar com a ansiedade?”, mas sim:


O que essa ansiedade está tentando dizer?


Ansiedade não é defeito. É sinal.


A ansiedade aparece quando algo é importante.


Ela é uma resposta natural do organismo diante de situações que envolvem expectativa, exposição e desafio. Se o jogo não significasse nada, o corpo não reagiria.

Por isso, a ausência total de ansiedade raramente é sinal de maturidade emocional. Muitas vezes, é sinal de desinvestimento.

O problema não é sentir ansiedade antes do jogo, mas o que fazemos com ela.


Quando a ansiedade vira inimiga


Ela se torna inimiga quando é interpretada como ameaça.

Jogadores que acreditam que “não podem sentir ansiedade” passam a lutar contra o próprio corpo. Qualquer batimento acelerado vira prova de que algo vai dar errado. Qualquer pensamento negativo vira sentença.


Nesse cenário, o foco sai do jogo e vai para o controle interno. O jogador entra em quadra mais preocupado em não errar do que em jogar. Mais atento ao que pode perder do que ao que pode construir.


A ansiedade, então, deixa de ser energia e vira bloqueio.


Quando a ansiedade vira aliada


Jogadores mais experientes — emocionalmente, não apenas tecnicamente — aprendem algo fundamental: ansiedade é ativação.

Ela indica que o corpo está se preparando.


Que há combustível disponível.


Que o sistema está ligado.

Esses jogadores não tentam eliminar a ansiedade. Eles organizam. Respiram melhor. Simplificam decisões. Ajustam expectativas. Diminuem o tamanho do jogo mentalmente.


Em vez de pensar no resultado, pensam no primeiro ponto. Em vez de controlar tudo, escolhem uma única intenção.


A ansiedade continua ali. Mas agora ela empurra, não paralisa.


O espelho da vida fora da quadra


Curiosamente, a forma como lidamos com a ansiedade pré-jogo costuma ser muito parecida com a forma como lidamos com a ansiedade na vida.

Alguns evitam desafios para não sentir.


Outros entram em excesso de controle.


Há quem se cobre demais e quem fuja emocionalmente.


O tênis apenas escancara isso. Em poucos minutos, sob luz forte e placar visível, nossos padrões aparecem.


Por isso, aprender a lidar com a ansiedade pré-jogo é também aprender a lidar com:

  • entrevistas importantes

  • decisões difíceis

  • conversas delicadas

  • momentos de exposição


A virada mental


Talvez a maior virada seja simples, mas poderosa:

👉 “Se estou ansioso, é porque isso importa.”

A partir daí, a pergunta muda:


Como posso usar essa energia a meu favor hoje?

Nem sempre o jogo será bom. Nem sempre o resultado virá.


Mas quando a ansiedade deixa de ser inimiga, o jogador entra em quadra mais inteiro, mais honesto e mais presente.

E isso, no tênis e na vida, já é uma grande vitória.

O jogo começa antes do primeiro saque.


E a ansiedade… também.

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