O tênis e o treinamento de força
- Wilson Andrade

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jan.
A coluna de hoje cedi o espaço para meu amigo Wellington Eleezer Santos de Sousa, que está iniciando no tênis e joga o ranking da Liga de Tênis de Paulínia (LTP). Wellington é Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).
O tênis é um esporte de alta demanda motora e marcado por situações imprevisíveis, sendo frequentemente descrito como um verdadeiro “jogo de emergências”. Segundo Kovacs e Roetert (2015), trata-se de uma modalidade caracterizada por constantes acelerações, desacelerações e rápidas mudanças de direção. Segundo esses autores em uma partida competitiva, o jogador pode realizar, em média, de três a cinco mudanças de direção por ponto, podendo ultrapassar a marca de 500 ao longo de todo o jogo. Esse padrão intermitente de esforço exige que o atleta seja capaz de produzir força repetidas vezes, com eficiência e precisão, mesmo em condições de fadiga acumulada.

A compreensão dessas exigências mecânicas deve ser acompanhada de uma análise das demandas fisiológicas do tênis. Kovacs (2007) destaca que o tênis moderno evoluiu para um esporte rápido e explosivo, no qual predominam esforços anaeróbios de alta intensidade, intercalados por períodos regulares de recuperação, com relações esforço–pausa variando entre 1:3 e 1:5. Os pontos apresentam duração média inferior a 10 segundos, enquanto as partidas podem se estender por várias horas, configurando uma modalidade que exige elevados níveis de força, potência, velocidade e resistência muscular. Nesse contexto, a fadiga mostra-se um fator determinante para a redução da precisão dos golpes, comprometendo diretamente o desempenho técnico ao longo do jogo.
Além disso, conforme enfatiza a United States Tennis Association (USTA), uma das bases do desempenho do tenista está na capacidade de se posicionar adequadamente para golpear a bola com equilíbrio e potência. O corpo deve ser compreendido como um sistema integrado, no qual os membros inferiores constituem a primeira ligação da cadeia cinética.
A partir do contato dos pés com o solo, ocorre a aplicação da Terceira Lei de Newton: ao exercer força contra o chão, o atleta recebe uma força de reação que é transmitida sequencialmente pelos segmentos corporais — pés, joelhos, quadris, tronco, ombro, braço e, por fim, à raquete. Essa coordenação sequencial permite a transferência eficiente de força, reduzindo perdas energéticas e favorecendo golpes mais potentes e estáveis.
A partir dessas características fisiológicas e biomecânicas, torna-se evidente o papel estratégico da musculação na preparação física do tenista. O treinamento de
força não se limita ao aumento da massa muscular, mas atua diretamente no desenvolvimento da força máxima, da potência e da estabilidade do core, capacidades fundamentais para a geração de força no solo e sua adequada transferência ao longo da cadeia cinética.
Diante dessa perspectiva, músculos mais fortes e resistentes contribuem para a manutenção da técnica em condições de fadiga, aspecto central em um esporte no qual a precisão dos golpes deve ser sustentada por longos períodos. Dessa forma, a musculação configura-se como elemento essencial para otimizar a transferência de força, potencializar o desempenho esportivo e reduzir o risco de lesões no tênis moderno.
Referências:
KOVACS, M. S. Tennis physiology: training the competitive athlete.
Sports Medicine, v. 37, n.3, p. 189-198, 2007.
ROETERT, E. P.; KOVACS, M. S. Anatomia do tênis. Barueri, SP:
Manole, 2015.





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